Anatomia externa dos peixes ósseos

Muitas vezes, ao ler-mos um artigo sobre peixes, nos deparamos com alguns termos, que para os leigos, ficam algumas dúvidas. Assim, procuramos neste artigo trazer, da forma a mais simples possível, um apanhado sobre a anatomia externa dos peixes ósseos.

No parágrafo acima já podemos encontrar um termo que, para alguns, pode acarretar alguma dúvida: peixes ósseos, o que seria isto?
Mesmo não se tratando de anatomia externa, vamos lá:
Os peixes são, de forma bem ampla, classificados em Osteichthyes e Chondrichthyes.

  • Osteichthyes - são os peixes que possuem o esqueleto constituído por óssos. Constituem a maioria dos peixes, como por exemplo: os killifishes.
  • Chondrichthyes - são os peixes que possuem o esqueleto constituído por cartilagem. Como exemplo temos os tubarões e arraias.

Nem todos os peixes apresentam a mesma forma, o formato básico e comum que mais conhecemos. O formato do corpo, a forma e posicionamento da boca, coloração, desenvolvimento das nadadeiras, etc. de cada espécie, nos fornece informações importantes quanto ao modo de vida, hábitos alimentares, entre outras. Por exemplo:

  • Corpo estreito, achatado lateralmente e comprido, nos indica peixes de ambientes lóticos, que dependem da velocidade para caçar ou se defender de predadores.
  • Peixes de corpo largo, achatado dorso-ventralmente, nos indica peixes que habitam regiões próximas ao fundo do rio, lago, etc.
  • Boca superior, voltada para cima, indica peixes que se alimentam próximo à superfície.
  • Boca inferior, voltada para baixo, indica peixes cujo alimento se encontra abaixo dele, seja revirando o substrato, raspando algas em pedras, etc.
  • Boca frontal, indica peixes predadores.

* Ambiente lótico = com correnteza, água em movimento constante.
* Ambiente lêntico = sem correnteza ou pouco movimento.


Esquema geral da anatomia externa de um peixe.

            OBS: pelo fato de alguns exemplares utilizados para descrição da espécie poderem apresentar nadadeira caudal definhada, mordiscada, etc., adotou-se o tamanho standard, começando no focinho e indo até o final do pedúnculo caudal, não levando em consideração a nadadeira caudal.

           

As escamas:

Muitas pessoas erroneamente consideram as escamas como sendo a pele dos peixes. Na realidade as escamas estão dispostas sobre a pele verdadeira. Elas constituem uma proteção a mais para os peixes e auxilia numa melhor hidrodinâmica, permitindo que o peixe "deslize" melhor pela água. Existem 4 formas de escamas, as ctenóides, ciclódes, ganóides e placóides, existem ainda peixes onde as escamas foram substituídas por placa ósseas (calictídeos) e outros que não possuem escamas (pimelodídeos).

  • Ctenóides : Típica dos peixes ósseos, são finas e crescem por toda vida, possuem pequenas projeções formando uma coroa de minúsculos espinhos, que conferem aos peixes uma aparência áspera.
  • Ciclóides : típica de peixes ósseos, crescem por toda vida do peixe, são lisas, não possuindo projeções.
  • Ganóides : Não ocorrem em peixes brasileiros, são rômbicas, esmaltadas e brilhantes.
  • Placóides : Encontradas em tubarões e arraias, possuem pequenos dentículos dérmicos voltados para trás, o que deixa sua pele áspera, com aparência de uma lixa.
  • Linha Lateral
               

    Geralmente constituida de uma linha ao longo do corpo em ambos os lados. Nos ciclídeos esta linha e dividida em duas. Está situada por sob as escamas, possuindo um canal de comunicação com o meio externo e internamente ligada ao sistema nervoso. Possuem diversas funções, sempre relacionadas aos sentidos, tais como: detectar os movimentos e vibrações na água, auxiliando na locomoção em ambientes de pouca visibilidade e com obstáculos, permite aos peixes que nadam em cardumes efetuarem as mudanças de direção sincronicamente, detectar movimentos na água, seja de predadores ou presas, etc..


    Esquema mostrando detalhes da parte externa da linha lateral

    As nadadeiras
               

    De uma forma geral, as nadadeiras possuem a função de impulsionar o peixe e manter a estabilidade do mesmo, quando em movimento ou repouso. Alguns peixes desenvolveram outras funções, tais como utiliza-las durante a reprodução para "abanar" os ovos ou seduzir as fêmeas, outros sofreram uma adptação mais profunda e utilizam suas nadadeiras para a cópula (poecilídeos).

    Tipos de nadadeiras:

    • Nadaeira caudal - transmite a força que impulsiona o peixe através da água. Peixes de ambientes lóticos possuem está nadadeira com uma bifurcação bastante pronunciada. Os de ambientes lênticos possuem nadadeiras truncadas, sem bifurcação ou pouco pronunciada e muitos possuem projeções (véu, lira, etc).
    • Nadadeira dorsal - possuem principalmente função de estabilidade, funcinando como a vela do barco, é constituída normalmente por raios duros e moles. Algumas espécies podem apresentar duas nadadeiras dorsais (percas), podem ser pouco visíveis ou ausentes (gimnotídeos).
      * Raios duros - semelhantes à agulhas, não possuem bifurcações.
      * Raios moles - possuem várias bifurcações.
    • Nadadeira anal - é a nadadeira encontrada entre o poro urogenital dos peixes e a caudal. Geralmente utilizada como estabilizador, nos machos dos poecilídeos desenvolveu-se como órgão copulador, alguns ciclídeos possuem pequenos ocelos que estão ligados ao comportamente reprodutivo.
    • Nadadeiras pélvicas - encontram-se na região ventral à frente da nadadeira anal. Possuem função estabilizadora e orientadora dos movimentos, e em algumas espécies também são utilizadas na reprodução (coridoras).
    • Nadadeira peitorais - estão posicionadas lateralmente abaixo dos opérculos. São utilizadas principalmente para orientação dos movimentos. Possuem outras funções e adaptações para diversos fins, entre eles "andar" na terra (Calictídeos), aeração dos ovos (ciclídeos), etc.
    • Nadadeira adiposa - pequena nadadeira encontrada dorsalmente e próxima ao pedunculo caudal. É encontrada nos Caracídeos.

    Esquema dos tipos de nadadeiras Exemplo de peixes com nadadeira dorsal dupla

               
    Esquema mostrando os 2 tipos de raios das nadadeiras.

               

    Narinas
               

    Situada no "focinho", à frente e próximas aos olhos. Suas bolsas olfativas possuem função sensitiva para substâncias dissolvidas na água.

               

    Olhos
               

    Na maioria dos peixes os olhos estão situados lateralmente à cabeça, mas em algumas espécies o posicionamento pode variar. Nos peixes de hábitos alimentares próximo a superfície, os olhos podem estar posicionados mais para o alto da cabeça, o mesmo ocorrendo com alguns peixes que vivem próximo ao fundo. Os peixes não possuem pálpebras.

               

    Opérculo
               

    Placa situada após os olhos. Sua função é proteger a câmara branquial. Ela é facilmente identificada devido seu movimento de abrir e fechar durante a respiração. Alguns peixes desenvolveram projeções em forma de espinhos, sendo utilizados como defesa.


    Esquema mostrando a localização das narinas, olho e opérculo.


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