Caos ambiental

É inaceitável que um país como o Brasil, que detem uma das maiores biodiversidades do planeta, tenha uma política ambiental tão caótica. Não existe um programa eficaz no combate a devastação ambiental, tais como os desmatamentos, queimadas, comércio ilegal, entre outras. As leis existem, são muitas, mas as aplicações das mesmas ficam muito a desejar.
Basta abrirmos diariamente os jornais para ver tal descaso. Obras são realizadas sem a menor preocupação dos riscos ambientais. Onde estão os EIA/RIMA*? Ou será que estes não trazem a realidade dos impactos? Ou será que levam apenas em conta alguns interesses pré-determinados?

*EIA - Estudo de impacto ambiental
*RIMA - Relatório de impacto ambiental

LEIA MAIS:  RESOLUÇÃO CONAMA 001, de 23 de janeiro de 1986 - Dispõe sobre os critérios e diretrizes básicas para o processo de Estudos de Impactos Ambientais-EIA e Relatório de Impactos Ambientais-RIMA

De certo, as autoridades competentes no que diz respeito à flora e fauna brasileira, parecem conhecer apenas algumas espécies deste vasto patrimônio ambiental. Creio que, se muito, apenas uns 5% de nossa biodiversidade desperta algum interesse. Entre estes, geralmente encontramos apenas, alguns mamíferos: felinos, primatas e cetáceos; algumas aves: psitacídeos e alguns passeriformes; répteis: quelônios e jacarés. Pouca ou nenhuma coisa sobrou para os demais. Não adianta criar listas e listas de animais ameaçados e "protegidos" por lei, pois se nada for feito de efetivo para preservá-los só nos restas retirar seu nome de uma lista e acrescentá-lo em outra, dos animais extintos.

É obrigação do poder público criar mecanismos de defesa, proteção, legislação e fiscalização sobre nossa biodiversidade.

No nosso caso específico, os killifishes, somente no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a duplicação de uma estrada quase levou de imediato a extinção de uma área com duas espécies de killis, tendo a mesma ocorrido no primeiro semestre de 2002 (Foto 1 e 2); sendo que no primeiro semestre de 2004 ocorreu uma obra de terraplenagem na rua que margeia o que restou do biótopo, tendo o excesso de terra sido empurrado para as margens da rua (foto 3 e 4).


Foto1

Foto2

Foto3

Foto4

Não podemos ainda afirmar nada sobre estas populações, pois seria inconseqüente tentar prever os efeitos, a longo prazo, sobre a área em questão. O emissário submarino da Barra da Tijuca poderá levar ao mesmo problema uma outra espécie, cujo biótopo poderá sofrer danos irreparáveis se ocorrer alteração do lençol freático local, que possui importância fundamental para o citado biótopo, como também para o lago existente naquele parque, pois ambos possuem uma co-relação.


Vista parcial do lago.
 
Vista parcial do biótopo.

O pior disto tudo, é que não se observa qualquer providência, os relatórios realizados na área não são divulgados e mesmo as tentativas de contato com as autoridades competentes não são correspondidas. Nós, enquanto cidadãos temos direitos sobre o patrimônio genético deste país, nossa fauna e flora não pertencem a uma ou duas pessoas ou algum órgão, eles pertencem ao povo brasileiro. Desta forma, temos o direito ao acesso sobre os relatórios e outras informações que dizem respeito ao manejo do que é nosso.
Este cenário de total desrespeito aos direitos do povo e da nossa biodiversidade não é diferente do restante do Brasil.

Quantas espécies desapareceram e quantas desaparecerão diante dos nossos olhos?

Porque será que apenas nós, o povo, conseguimos enxergar este caos ambiental?

Será que a investidura de responsabilidades causa danos oculares?

E, enquanto o caos se estabelece, as pessoas que se propõem a desenvolver um trabalho sério de preservação do patrimônio genético de uma espécie, sem interesse comercial, sofrem toda a pressão da lei e dos órgãos, que não atuam sobre os que destroem.

Diversos países criam incentivos para criadores preservacionistas, infelizmente no Brasil não existe este pensamento. Por aqui, acredito que, a idéia seja "É melhor exterminar que permitir alguém de preservar".