Especie da familia Cyprinodontidae, Genero Cynopoecilus,
Constatadas em águas do Brasil


Ascanio Faria
Do Serviço de Caça e Pesca
e
Hans Muller
Piscicultor

CYNOPOECILUS SANDRII (sp. Nova)

A denominação de Cynopoecilus se comprehende por serem os indivíduos pertencentes a esse gênero, portadores de dentes caniformes e pela coloração intensa e variada do corpo. O nome da espécie foi dado em homenagem aos piscicultores Sandrii, que foram os primeiros a encontrar exemplares da mesma.

Habitat

Estado do Rio de Janeiro, em pequenas poças que se encontram em lugares sombrios, nas visinhanças de pequenos rios, poças essas que são fartas dagua no inverno e que seccam completamente à medida que avança a estiagem.

Descripção

Para a descripção que se segue examinamos cinco exemplares jovens da espécie, conservados em álcool e formol, e outros indivíduos mantidos em pequenos aquários da firma "Aquário Rio Ltda.".

Altura no comprimento do corpo de 4 ¼ até 5 ¼ vezes. Cabeça no comprimento do corpo de 3 até 3 ½ vezes. Olho na cabeça de 2 até 2 ¼ vezes. Espaço inter-orbital igual ao diâmetro do olho. Comprimento da peitoral 1 3/5 vezes na cabeça. Focinho largo e chato sendo um pouco mais curto que o diâmetro do olho. Dorsal com 13 raios, começando na metade da linha que vae da base da caudal até a vertical ao centro do olho: essa barbatana encontra-se, na fêmea, localizada um pouco mais para trás. Os raios anteriores dessa nadadeira são mais curtos que os posteriores que attingem o dobro do comprimento dos primeiros, dando-lhe, assim, um contorno sinuoso. A anal de 15 raios começa um pouco antes da linha anterior da dorsal, sendo mais ou menos na mesma largura e também da mesma forma da dorsal. Apresenta ella, entretanto, os raios posteriores mais curtos que os da dorsal. A caudal é bem arredondada e ampla. Contamos na linha lateral de 28 até 30 escamas. Apresentam os exemplares a coloração cinzento-azulada clara, com 14 nitidas faixas transversaes de cor vermelho lacre no corpo, dispostas do bordo posterior do opérculo até a inserção da caudal. A caudal e a anal com 3 e a dorsal com 6 faixas idênticas as do corpo, porem, de contorno sinuoso. A anal e dorsal apresentam no bordo externo um ligeiro azul phosphorecente. O olho apresenta uma orla externa da mesma cor. A cabeça com um desenho irregular com faixas também azul phosphorecente. De um modo geral as barbatanas deixam ver, além das faixas vermelhas já descriptas, uma coloração cinzento-avermelhado diffusa. De conformidade com o desenho n. 5, verificamos em vários exemplares jovens o seguinte aspecto dentário: No maxilar - No bordo externo encontramos quatro dentes caniniformes com regular desenvolvimento. Entre esses, vimos diversos outros menores villiformes. Na mandíbula - Vimos dez dentes caniniformes no seu bordo externo, dispostos segundo o desenho n. 6. Para dentro da mandíbula e do maxilar distinguimos diversas ordens de pequenos e numerosos dentes. A fêmea não apresenta a coloração viva já descripta para o macho, sendo a coloração do seu corpo dum marrom claro diffuso. As barbatanas dorsal, anal e caudal, dellas, não têm o mesmo desenvolvimento que o que se verifica no macho, sendo transparente, quase sem cor. Examinamo-lhes 6 exemplares, de comprimento, variando entre 14 e 17 mm, encontrando todos elles ovados. Os machos são um pouco maior que as fêmeas, tendo o maior exemplar examinado attingido 25 mm, medida tomada da ponta do focinho ao ponto de inserção da nadadeira caudal.

Fig. 1 Fig. 5/6


OBS: O texto foi editado mantendo sua grafia original