Aphanius fasciatus (Valenciennes in Humbolt & Valenciennes, 1821) UM KILLI NATIVO
Por Emile Farmer
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Bem, talvez não seja necessário buscar tão distante. Se pensarmos que nós Europeus temos, é exatamente o que temos, uma coisa muito rara, um killifish genuinamente Europeu. Nos naturalmente podemos assumir aquele killifish vindo das partes mais exóticas do mundo, como as florestas tropicais Venezuelanas, os pampas Argentinos ou as savanas do leste Africano ignorando o fato que mais perto de casa, cinco espécies de killifishes compõem a fauna de nosso próprio continente. É muito fácil ignorar o que esta sob nosso nariz em favor do exótico de terras distantes, apesar do fato de termos alguns belos killifishes aqui na Europa, que estão em declínio pela ação do homem. Aphanius fasciatus é apenas um destes, um killifish genuinamente nativo Europeu.
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Sinônimos: Lebias fasciatus, Aphanius calaritanus, Cyprinodon calaritanus. C fasciatus, C marmoratus, Lebias calaritanus.
Distribuição: Como o nome comum de Killifish mediterrâneo sugere, este peixe é amplamente distribuído através do Mediterrâneo como também a costa do Adriático, Malta, Grécia, Chipre, África do Norte, Eslovênia, e a Croácia, Córsega e Israel. Na Itália o peixe é encontrado em ambos as costa, do Mediterrâneo e Adriático enquanto na Turquia tem distribuição mediterrânea e egéia estranhamente ausente na costa do mar Negro.
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Habitat: Geralmente esta espécie prefere água salobra, a lagunas e canais hiper salinos que recebem afluência de água do mar. Na Turquia é encontrado em pelo menos um lago salino sem conexão para o mar (Lago Bafa). Não é desconhecido contudo que o peixe é encontrado em ambientes totalmente de água doce, como a parte mais baixa do rio de Buyuk Menderes, na Turquia ocidental.
Aphanius fasciatus prefere as ocorrências de partes salinas e vegetação aquática, essa ultima raramente presente nas águas altamente salinas. Nestes ambientes o peixe coloca seus ovos em tapetes de algas de pelo (limo espesso) ou em algas.
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Aparência: As fêmeas desta espécie, como nos demais killis, são relativamente não inspiradoras visualmente, com uma série de pequenas barras verticais na segunda metade do corpo e pequenas nadadeiras incolores.
O macho por outro lado pode ser um peixe maravilhoso, com nadadeiras mais longas que se tornam amarelas no período de reprodução. A borda da nadadeira dorsal desenvolve uma faixa negra, quando o peixe alcança a maturidade sexual. Ambas as nadadeiras, anal e dorsal, possuem uma pequena continuação da bela série de faixas, presente ao longo dos flancos. Aphanius fasciatus é talvez uma das espécies mais graciosa do gênero.
As fêmeas são ligeiramente maiores que os machos, alcançando os 10 cm, chegando os machos a cerca de 8 cm. Os espécimes de aquário são consideravelmente menores.
Como muitas espécies de killifishes e Aphanius, os machos colorem e mantém suas cores no período de reprodução. Eles podem ser embalados por longo período ou colocados em aquário para fotografias, sob luz intensa, mantendo a beleza de suas cores. Este, contudo, não é o caso do Aphanius fasciatus, pois eles se tornam bastantes pálidos quando são removidos (importunados), como por exemplo, as apresentações em exposições e leilões, reação que não é divulgada, como também o fato que Aphanius fasciatus é essencialmente um killifish sazonal e portanto somente demonstra suas cores completamente, durante os meses do verão (mais quente).
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 macho de Aphanius fasciatus Laguna de Orbetello
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 fêmea de Aphanius fasciatus Laguna de Orbetello
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Manutenção: O que de imediato surpreende o killiófilo quanto a esta espécie, é o seu alto nível de atividade. No período reprodutivo a perseguição do macho à fêmea é implacável. Quando consegue alcançar a fêmea ele a circunda repetidas vezes, até que a mesma se sinta inspirada a aproximar-se do mesmo e desovar no meio (bruxinha).
As vezes vários machos perseguem uma única fêmea, aguardando a oportunidade de formar um par e mergulharem no meio de sevo (bruxinha), concretizando a desova.
Os peixes são de temperamento dócil e de natureza pacífica se comparados com outras espécies de Aphanius (cujos machos podem por vezes lutar até a morte em aquários apertados), reivindicando fêmeas com o equivalente piceo de um levantar de sobrancelhas.
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Geralmente esta espécie é relativamente robusta, desde que sua água esteja limpa (filtrada), arejada, alcalina, dura e com boa salinidade. A água do tipo da localidade Laguna de Orbetello na Itália, onde Emile coletou estes peixes, tinha o pH 8.4, dureza dgh 39 e uma gravidade especifica (salinidade) de 0.025, que é muito alta. Entretanto, a grande diversificação da salinidade dos habitat deste peixe e as experiências efetuadas por Emile em utilizar salinidade em extremos, chegando até 0.004, demonstra que se esse valor seja o limitador mínimo não haverá nenhum problema. Esta gravidade específica é alcançada adicionando 6 a 7 colheres de sal marinho para 3 galões (.....) de água doce.
Devido a dificuldade de plantas de aquário que suportem essas salinidades, Emile utiliza Microsorium pteropus, Valisneria spiralis e Ceratophylum demersum, tendo essa ultima sido encontrada pelo mesmo nas águas frias do mar Negro, podendo todas suportar esse baixo nível de salinidade.
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O Aphanius fasciatus é considerado uma espécie de difícil manutenção, pois assim como os demais killifishes de áreas temperadas (baixas temperaturas), requerem um período de baixas temperaturas, a fim de manterem a fertilidade e as condições do colorido por muitas gerações. Emile descobriu que diversas espécies de Aphanius apresentam um aumento progressivo no número de ovos inférteis produzidos, chegando por vezes a suspensão total da postura, quando mantidos constantemente a altas temperaturas; quando estava na Itália coletando Aphanius, foi informado que na região de Tuscany ocorrera períodos muito frio, com temperaturas gélidas e até neve. Os invernos nesta parte da Itália, não ocorrem por longos períodos, como ocorre nas partes mais ao norte, devendo ser esta ocorrência refletida no período frio (inverno) que devemos proporcionar aos mesmos.
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A maior parte de seus Aphanius fasciatus são mantidos na parte externa, no sul da Inglaterra onde reside, na maior parte do inverno, juntamente com outras espécies de Aphanius de regiões temperadas, em aquários de cinco pés de comprimento. No passado ele costumava cobrir os aquários para evitar que a considerável quantidade de chuva que ocorre na Inglaterra fosse acrescentada aos mesmos, reduzindo assim gradualmente o pH e a dureza da água, com resultados potencialmente fatais. Atualmente porém, ele mantém as características da água com rocha de Tufa, que desaparece gradualmente enquanto a dureza é liberada em resposta a acidez da chuva. Ele também eleva ligeiramente o nível de salinidade, pois a mesma é diluída com o passar do tempo. Todos os aquários externos são filtrados por filtros de bolhas, porém a eficácia de suas bactérias nitrificantes é provavelmente reduzida durante o inverno, devido as temperaturas baixas. Todos seus Aphanius fasciatus são colocados no exterior em outubro e trazidos para o interior e condicionados para a reprodução em fevereiro. O ato de deixa-los no exterior durante o inverno não é estritamente necessário, desde que seja possível mante-los em ambiente cuja temperatura da água se mantenha em torno de 15°C por um período de dois meses.
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Reprodução: Uma vez que esse período de inverno tenha sido oferecido aos mesmos, sua reprodução não oferecerá nenhum problema. Para tanto substitua as plantas e folhagem do aquário por bruxinhas flutuantes e gradualmente eleve a temperatura para 22 a 25°C colocando uma aeração. Nestas condições o peixe desenvolverá um forte apetite (aceleração do metabolismo) havendo o risco dos mesmos consumirem suas desovas, sendo aconselhável mante-los bem alimentados como também é necessário verificar as bruxinhas (coleta de ovos) pelo menos uma vez ao dia, de preferência pela manhã. Não se preocupe quanto a perturbar os reprodutores, pois até o Aphanius fasciatus selvagem torna-se domesticado relativamente em pouco tempo, chegando a ponto de aceitar alimento da ponta de nosso dedo. Na reprodução desse peixe devemos fornecer alimentação na proporção de 90% de alimento vivo ou congelado para 10% de alimento flocado.
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Seus ovos são de tamanho grande e assim de fácil manuseio. Coloque os mesmos em um pequeno recipiente adicionando uma gota de azul de metileno e coloque o mesmo em um local morno e preferencialmente ensolarado. O filhote se desenvolverá em aproximadamente 10 a 14 dias e devido a seu tamanho poderá ser alimentado com nauplios de artemias recém eclodidos. Comparados a muitos killifishes a alimentação com nauplios de artemias para os filhotes (alevinos) de Aphanius fasciatus é um procedimento renovável, fácil e direto. Como a água é salgada a salina, muitos nauplios de artemias permanecem vivos por diversos dias e até semanas, dependendo da quantidade de alimento e salinidade da água. A vantagem disto é a redução da quantidade de nauplios a ser produzida, como também reduz a quantidade de nauplios mortos a serem sifonados.
As taxas de crescimento relativo dos filhotes de Aphanius fasciatus, comparado a outros Aphanius é muito rápida. Eles alcançam 1 cm em aproximadamente 3 a 4 semanas, quando poderão passar a serem alimentados com comida flocada pulverizada. Embora na seja o ideal, o filhote poderá ser retornado ao aquário dos adultos a partir de 1 cm de comprimento, pois os pais instintivamente sabem ignorar os mesmos.
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Portanto, quando mantido corretamente o killifish do Mediterrâneo é um peixe surpreendente atraente, que produzirá prontamente em aquário e cujos filhotes são tão pouco exigentes, gerando assim muita satisfação em todas as fases. O que é mais importante, você estará mantendo uma rara espécie da Europa e fazendo sua parte na manutenção dos mesmos.
Contatos com o autor: Emile Farmer
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