São aproximadamente 25 anos que posso dizer serem os killis meus companheiros de vida. A primeira informação que tive na época através de um livro de bolso, falava em tirar lentamente um pouco de água a cada dia para que fosse simulada a época de seca e eles começassem a criar. Forma romântica e encantadora, mas saber onde encontrá-los, naquela época era difícil. Foi realmente coincidência que após ficar conversando com o balconista de uma loja por mais de 2 horas e comentado o que tinha lido, fiquei sabendo que o dono da mesma era encantado por esses peixes, que eram chamados de killis, entendendo por que a loja chamava-se Tropical killifish (Rua Monte Alegre - Bairro Perdizes). Foi no primeiro sábado que acabei conhecendo Carlão, o dono da loja, que me iniciou na criação de killis e que se transformou em um grande amigo. Nesta loja tive a oportunidade de ver os primeiros killis: A. gardneri, A. australe gold, S. antenori e Fundulopanchax puerzli. Foi nesta mesma loja que encontrei pela primeira vez o mundo dos killis que para mim era algo regional, como também compreendi o interesse do mundo todo, que fazia o Sr. Rosário La Corte sair de seu país e vir coletar peixes no Brasil, tendo nesta época encontrado a S. costae e P. aruanensis.
Ainda no começo, após ser presenteado com um pacote de turfa, vi nascer em um espaço de 15 minutos mais de cem C. nigripinnis; estava assim começando uma parte importante do meu amor pelos killis.
A criação de killis não se resume a uma técnica ou um passa tempo e sim uma forma de vida. Foi logo no primeiro ano que nesta mesma loja conheci Julio Ghisolf e comecei a freqüentar sua casa e principalmente sua estufa. Todos os sábados ficavam-mos hora observando e trocando idéias sobre os killifishes. A dificuldade em aprender a criá-los e principalmente conseguir novas espécies era grande. Não conhecíamos ninguém fora de São Paulo e a dificuldade de comunicação era limitante. Nesta época me associei a AKA abrindo-se assim um leque de oportunidades.
As poucas informações que tínhamos eram conseguidas através dos boletins recebidos a cada dois meses. Os primeiros contatos ainda rudimentares devido à dificuldade que tínhamos com a língua inglesa, começaram a surtir resultados e o nosso plantel a aumentar. Apenas em 1985 conseguimos reintroduzir no Brasil, A. australe gold, A. australe chocolate e Notho. Rachovii, provenientes da Argentina, comprados em viagem feita por mim àquele país, quando de meu casamento.
No Brasil apenas uma loja importava peixes desta espécie, em pequena quantidade. Apesar de eu nunca ter comprado lá, a loja do Takasi, (Avenida Washington Luiz - Em Frente ao Aeroporto de Congonhas) era bem conhecida. A loja do Moy na Rua das Fiandeiras, hoje também fechada, trazia regularmente C. adlof, L. melanotaenia e C. wolterstorf. A Netuno, (Rua Brigadeiro Galvão, 922 Barra Funda - São Paulo - SP ), também trazia regularmente P. Longipinnis e Trigonectis.
Da minha visita semanal na casa do Julio começaram a fazer parte outras pessoas. A primeira a se juntar foi Carlos Tatsuta e logo após Celso Branco. Desta forma, a visita semanal começou a se transformar em uma reunião, que no futuro se transformaria na UPK (União Paulista de Killifishes).
A primeira viagem de coleta foi à cidade de Registro, a procura de L. aureoguttatus, resultando em um total fracasso. Alguns meses depois viajamos para o Paraná, e no caminho de Paranaguá encontramos alguns exemplares da citada Leptolebias. Ao grupo foram se incorporando outras pessoas, Toninho, Wanderley, Jackes, Joaquim e principalmente o Dalton, que logo se mostrou interessado em participar de coletas e que hoje todos conhecem, e reconhecido pelo que fez e vem fazendo em prol da criação dos killifishes. Naquela época já criava killifishes, paralelamente ao grupo, o Sr. Edson, como também tínhamos conhecimento das coletas do Sr. Campelo. Ainda iniciantes, conhecemos o Ricardo, Roberto, Paulo e diversos outros que no momento não me vem à mente seus nomes.
O inicio da UPK foi motivado pela necessidade destes amigos em se organizarem, e conseqüentemente ocorrer um considerável aumento no número de criadores. Assim criamos um clube que poderia através de boletins, passar nossas experiências ao pessoal mais novo, que procuravam nas lojas por um peixe especial o qual não encontravam por falta de conhecimento dos lojistas, e alguns diziam que o peixe anual morria muito cedo, e assim sendo eram de difícil criação.
Outro objetivo era o de conseguir fundos de coleta para facilitar assim a introdução no hobby de novos peixes. Isto enfim acabou acontecendo por méritos próprios, na pessoa do Dalton, anos mais tarde.
Os objetivos do grupo nunca foram atingidos.
O único objetivo atingido foi o boletim pelo tempo que existiu.
Não me lembro quantos foram impressos, mas sei que eram xerocados pelos participantes e distribuído por alguns que rodavam as lojas mais constantemente. Eram distribuídos gratuitamente em lojas.
Estes boletins eram lidos principalmente por iniciantes em aquarismo que encontravam no balcão das lojas e pegavam por curiosidade. Acredito que até um costume de alguns procurar a cada dois meses o outro boletim, mesmo que não entrando em contato com o grupo.
O fim da era da UPK (União Paulista de Killifishes) se deve a dois motivos:
A partir deste momento me afastei dos killis e também da aquariofilia. Não posso neste momento deixar de parabenisar algumas pessoas que pela minha ótica foram importantes para que os killis transformassem-se no que é hoje: Dalton, Edson, Ricardo, Roberto, Paulo e alguns grandes criadores que pegaram o barco após nossa saída.
Voltei a criar killis há oito meses e me assustei com o que vi. Uma enorme quantidade de peixes novos, várias mudanças de nomes e até peixes antigos com novos nomes. A Internet, acredito que ajudou em muito a killiofilia no Brasil; no tempo da UPK uma simples troca de ovos demorava no mínimo três meses, hoje em questão de 5 minutos tudo esta acertado. A integração de todos estados se transformou em um valioso aliado a criadores, tanto na obtenção de novos peixes como no intercâmbio de informações. Conheci novos criadores em São Paulo e através da Internet pessoas muito agradáveis de conviver como o Nilo, Fernando, Marcel e outros. Gente preocupada somente em criar e ajudar outras pessoas a entender o hobby.
- fundo de coleta: cada participante doaria um casal para venda e revertido esse dinheiro para coletas - nunca foi dado ou vendido nada
- novos criadores: com o boletim pensava-se em ter mais participantes e realmente apareceram alguns, mas poucos e acabavam esbarrando no monopólio dos peixes que ficavam apenas para alguns (não se passava peixes novos a outras pessoas) - infelizmente eu era um deles.
1- a dificuldade que o brasileiro tem de viver em grupo.
2- a saída por vários motivos do pessoal do grupo inicial.