Em diversos locais, sejam sites, livros, apostilas, etc., nos deparamos com dicas e passo a passo para aqueles que estão começando a montagem de seu aquário ou a manutenção de uma determinada espécie. Estes trabalhos são importantes, pois passa para o iniciante dicas e técnicas muitas vezes adquiridas em anos de trabalho. Porém, nunca devemos nos esquecer que trabalhar com um ser vivo é muito diferente de uma receita de bolo, onde, sempre que misturarmos os ingredientes na medida recomendada tudo dará certo. Estes passo a passo servem para dar as informações iniciais, sabendo-se que muita coisa pode interferir nos resultados, cada região possui características climáticas próprias, que com certeza deverá ser levada em consideração pelo novato. Por exemplo, no estado do Rio de Janeiro determinadas espécies desenvolvem-se muito mais rápido do que no Rio Grande do Sul. Por outro lado, espécies próprias da região sul são de difícil aclimatação no Rio de Janeiro.
Toda a explicação acima tem um motivo. Leia sempre as dicas e técnicas daqueles que já estão trabalhando na killiofilia, mas lembre-se de adequá-la as suas condições. E é justamente isso que passo a descrever, dicas de como iniciar a manutenção de killis anuais, levando em consideração a prática adquirida em anos de manutenção e reprodução destes peixes.
Podemos considerar três formas diferentes de começar nossa criação, através de peixes adultos, jovens ou ovos. Neste primeiro momento vamos tratar apenas do início com peixes adultos.
1- primeiramente é importante ler sobre os killifishes de uma forma geral e se possível exatamente sobre a espécie que vamos começar. De posse das informações básicas passemos adiante.
2- procure adquirir seus peixes em criador que possa lhe transmitir duas informações importantes: idade dos peixes e população de origem. Isto serve para termos a noção do momento reprodutivo que os peixes se encontram, início, meio ou fim do período reprodutivo, peixes velhos tendem a diminuir seu potencial reprodutivo até parar totalmente, e a população é importante, pois nunca devemos misturar peixes de populações diferentes.
3- antes de efetuar a compra devemos preparar os aquários, onde colocaremos os peixes separados, os machos deverão ser sempre mantidos em aquários individuais e as fêmeas geralmente podem ser mantidas em grupos, sempre da mesma espécie, pois no caso de alguns gêneros, por exemplo, os Notobranchius, é praticamente impossível separa-las depois.
4- os peixes deverão ser mantidos nestes aquários por aproximadamente 15 dias, período no qual devemos oferecer uma alimentação rica, de preferência viva. Este período servirá para identificar a presença de alguma doença, mau formação externa e também servirá para o fortalecimento dos reprodutores.
5- durante a aclimatação e recomposição dos peixes, devemos montar o aquário de reprodução, cada espécie possui alguns cuidados, tais como tamanho do aquário, profundidade do substrato, etc.
6- após os 15 dias de manutenção prévia dos reprodutores, de preferência pela manhã, coloque a fêmea no aquário de reprodução e no início da tarde coloque o macho. Normalmente os killis são reproduzidos aos pares. Grupos de reprodução requerem um aquário de dimensões maiores e cuidados redobrados, não recomendo para o iniciante.
7- no período em que o casal passa no aquário de reprodução, devemos alimenta-los apenas com alimento vivo (artêmias adultas, dáfnias, larvas de mosquito e nunca utilizar tubifex vivo).
8- os peixes ficarão neste aquário por um período de aproximadamente 15 dias. Findo este prazo devemos retirar o substrato.
9- agora o criador deverá tomar uma decisão: renovar o substrato e manter o casal por mais um período, trocar a fêmea por outra "descansada", ou separar o casal por uma semana, dando-lhes um "descanso" merecido. A manutenção do casal por longos períodos de reprodução acarreta um envelhecimento precoce e conseqüentemente a fraqueza e morte dos reprodutores. É aconselhável a permanência dos casais, no máximo por duas desovas.
10- retire o substrato e coe em um coador de pano. Esprema bem para retirar todo o excesso de água. O ato de espremer não causa nenhum tipo de dano aos ovos, pois estes possuem uma casca resistente, o córion.
11- depois de coado, espalhe o substrato sobre uma superfície limpa e com auxílio de uma lupa é possível observar a existência de ovos e até calcular sua quantidade.
12- embale o substrato em um saco plástico, por exemplo, e lacre-o bem, de forma a impedir que a umidade interna saia.
13- o período entre o acondicionamento da desova e sua reidratação varia de acordo com a espécie e as características climáticas da região. Para efeito elucidativo, no estado do Rio de Janeiro o período de diapausa dos Notobranchius é de 45 dias e das Leptolebias, Simpsonychthys, etc. é de 60 dias, no verão.
14- ao chegar o momento da reidratação, coloque o substrato em um recipiente de bom tamanho, não necessita ter muita altura. Com auxílio de uma mangueira, destas utilizadas em pedras porosas e filtros, e um recipiente maior, postado acima do nível do recipiente onde se encontra o substrato, e faça gotejar sobre o mesmo. No primeiro momento, devemos manter a coluna de água em aproximadamente 1cm. acima do substrato. Esta coluna será aumentada gradativamente, de 1 a 2 cm. por semana.
15- os alevinos deverão ser alimentados com infusórios, micro vermes e náuplios de artêmia recém eclodidos. A alimentação inicial depende também da espécie em questão, pois peixes que possuem alevinos grandes não necessitam de infusórios.
16- após quinze dias da eclosão, podemos transferir os alevinos para outro aquário, com dimensões compatíveis com a espécie e número de alevinos. Devemos tomar muito cuidado neste processo, pois os alevinos são frágeis. Pode-se utilizar uma colher de sopa para "pescar" os alevinos. Outro dado importante, transfira parte da água do aquário de origem para o novo, desta forma evita-se choques por diferentes características química da água. O restante do substrato deve ser embalado novamente, seguindo o mesmo processo. Este substrato deverá ser reidratado após quinze dias, aproximadamente. Siga este processo até que cesse o nascimento de alevinos.
17- durante o processo de desenvolvimento dos alevinos devemos, sempre, oferecer alimentação de ótima qualidade, pois assim estamos garantindo um perfeito desenvolvimento de todo o grupo.
18- por fim, devemos ter sempre em mente a seleção dos melhores indivíduos, que formarão nossos futuros reprodutores. Leia mais em Seleção Natural na seção Nossa Experiência.