Seleção Natural
(reprodução em cativeiro)
Quando iniciei minhas pesquisas com Killifishes ,tive oportunidade de observar que em todas desovas obtidas, os alevinos provenientes das mesmas, apesar de todos receberem o mesmo tratamento, alguns se destacavam muito mais rapidamente que os demais, enquanto que outros ficavam muito aquém do restante do cardume, mesmo que eles fossem separados e tratados com alimentação em abundância. Este fato me chamou a atenção, e resolvi pesquisar o porque dessa ocorrência. Após diversas pesquisas e muita leitura, conclui que essas ocorrências tinham como fundamento à "Lei da Seleção Natural", a qual a natureza utiliza para garantir a perpetuação de cada espécie. A cada filhote de quaisquer espécies que venha a nascer, esta Lei atua imediatamente sobre o mesmo, isto é, se este exemplar, recém nascido, for detentor de uma saúde e um corpo perfeitos, terá oportunidade de sobreviver aos predadores, e se tornará um exemplar adulto, forte e saudável, capaz de produzir filhotes portadores de características que irão garantir a sobrevivência da espécie. Em resumo, a natureza permitira apenas aos mais fortes e sadios o direito a perpetuação.
Entretanto, no processo de reprodução em cativeiro, a Lei da Seleção Natural não tem condições de atuar, principalmente, pela ausência dos predadores naturais à cada espécie, ocorrendo que os exemplares nascidos, em sua quase totalidade, chegarão a fase adulta, independentes de defeitos físico, retardo no crescimento ou anomalias genética, os quais cruzarão entre si, produzindo filhotes cada vez mais descaracterizados, em relação a espécie a qual pertencem.
No decorrer dos anos que venho trabalhando com Killifishes, tenho notado que esta ocorrência acima descrita vem se repetindo em uma escala cada vez maior, uma vez que os killiofilos não se preocupam em apurarem uma espécie, bastando para tanto utilizarem a Lei da Seleção Natural, a qual não é difícil de ser aplicada, como descrevo a seguir.
Inicialmente você deverá ter em mente que um casal de determinado peixe, não significa que os mesmos sejam "matriz e reprodutor". Para se produzir uma matriz e um reprodutor, deve-se inicialmente escolher um casal ou um terno do peixe que se pretende criar, observando que sejam novos e possuam uma formação perfeita. A desova a ser utilizada, deverá ser a terceira produzida, pois na primeira normalmente ocorre um alto índice de ovos não fecundados, e na segunda desova faremos uma análise das características apresentadas pelos peixes oriundos da mesma, pois se ocorrer um índice superior a 10% de peixes com anomalias, devemos descartar o casal em uso e partir para novo casal. Este processo de seleção do casal base é utilizado quando não se conhece a origem dos exemplares escolhidos.
Concluída esta primeira fase, após o nascimento dos alevinos, faremos o acompanhamento do cardume, aplicando ao mesmo os cuidados necessários, isto é, alimentação adequada a cada fase de vida, troca periódica da água, entre outras, até o momento em que tiver início a maturação sexual dos mesmos, o que será notado pela aparição de colorido nas nadadeiras ímpares dos exemplares machos. A partir de então, separe o primeiro macho que se formar, em uma cuba individual, pois logo em seguida surgirá no cardume outro macho dominante, o qual deverá também ser separado, a exemplo do anterior. Com relação as fêmeas, deveremos separar as maiores, perfeitas e saudáveis, sendo que todas poderão ficar em um mesmo aquário, pois entre as mesmas não ocorre competição. Com relação ao número de machos selecionados, eu costumo, como medida de segurança utilizar uma quantidade de machos equivalente a 10% do total de exemplares do cardume, e o número de fêmeas será igual aos dos machos, quando o trabalho for feito com casais, e o dobro do número de machos, quando trabalhado com ternos.
Se esse trabalho for efetuado, seguindo as características nele contido, garanto que o resultado será a produção de exemplares portadores das melhores características de sua espécie.
Gostaria de deixar uma sugestão, com relação à troca (cambio) de espécies entre killiofilos; que a mesma fosse feita por intermédio de ovos, pois quando feita com exemplares vivos, normalmente são enviados ao outro killiofilos os exemplares menores de um cardume, o que mesmo sendo a eles aplicado a seleção acima descrita, a possibilidade de sucesso é remota, entretanto se o material utilizado for ovos, existe boa possibilidade de se obter as chamadas "matrizes e reprodutores".