Um Biótopo em agonia


No dia 15 de setembro de 2004 foi realizada uma visita a um dos maiores biótopos de Leptolebias minimus do Estado do Rio de Janeiro. A primeira impressão foi desesperadora. O que outrora foi um biótopo imenso, repleto de taboas verdejantes, hoje não passa de uma área em franco declínio. Ao andar pelo local, podia-se sentir o odor de esgoto doméstico, de diversas residências que lançam seus dejetos diretamente no biótopo, sem nenhum tipo de tratamento. Inúmeras valas negras desembocam na área, trazendo esgoto de outros locais. Como já era de se esperar, nenhum exemplar de L. minimus foi localizado. Foram localizados apenas alguns parcos exemplares de piaba (pequenos) e um exemplar de muçum (filhote).

Resumindo a situação, se nada for feito em relação a esta área, é provável que os exemplares que por ventura ainda existam, não sobrevivam às péssimas qualidades do meio, ou pior, os ovos que estão no substrato não completem o processo de Diapausa, devido à poluição acumulada no substrato, ou ainda, se o processo for completado, poderá ocorrer que na próxima cheia do sistema, a poluição seja tão grande que a qualidade da água não permita o desenvolvimento dos alevinos que vierem a nascer.
Em diálogo com morados do local (terrenos limítrofes ao biótopo) obtivemos a informação que a região onde está localizado o biótopo, não seca mais totalmente. Além do esgoto acima citado, existe também um rebanho (gado de corte) cujo curral fica localizado próximo ao biótopo, em uma área mais elevada, cuja urina do gado escorre diretamente para o mesmo, e esse gado pasta na região do biótopo, descaracterizando todo o solo.

Casas limítrofes
Curral de onde escoa urina para dentro do biótopo  solo pisoteado pelo gado 
trator realizando terraplenagem na área
Também foi constatado, na parte onde o biótopo faz divisa com o Horto Florestal uma máquina (trator) fazendo um trabalho de limpeza do mato e terraplenagem do terreno, indicando um novo loteamento, como muitos já foram feitos e atualmente estão habitados, em torno do biótopo.

Não adianta, alguns, que se dizem preservacionistas, ficarem discutindo questões tolas ou inexeqüíveis. Precisam sim, agir de forma concreta na defesa dos biótopos de Rivulideos em todo Brasil.

De que adianta apenas descrever novas espécies, como se isso fosse um grande ato, se nada é feito para protegê-las?
Descrever antes que acabem? É isso? Só isso?

Alguns acreditam que de nada adianta comunicar aos órgãos competentes, pois eles são inoperantes. Mas já tentaram?

Uma ou duas pessoas "gritando" em meio a uma multidão podem passar desapercebidas. Porém, se outras unirem-se a estas, o barulho aumenta e começa a incomodar. É isso que deve ser feito, "gritar" em grupo para que o volume incomode muito mais e alguma coisa seja feita.

Alguns aspectos do biótopo:

O local sofre também com o lançamento de lixo doméstico

Vegetação destruída a margem do biótopo.

Parte central do biótopo alagada pelo esgoto.

Moradia construída em área anteriormente ocupada pelo biótopo.

Alguns arbustos mortos ou morrendo devido à poluição

Alguns arbustos mortos ou morrendo devido à poluição

Rua construída sobre o biótopo.

A vegetação mais baixa é conhecida como Capim Navalha, e a vegetação mais alta, são algumas Taboas que persistem a poluição.

Um verdadeiro deposito de esgoto onde foi colocada uma tábua, para facilitar a passagem do peão, responsável pelo gado; podendo ser visto ao fundo o curral.

O gado no interior do curral, podendo ser notado a proximidade do mesmo com a margem do biótopo.

Uma visão do estado em que se encontra o substrato do biótopo.

Local de passagem do gado.

Terreno a margem do biótopo, onde mais uma residência deverá ser erguida; para onde irá o esgoto da mesma?

Vista parcial do biótopo, onde logo após a coluna de Taboas pode ser vista uma área desprovida de vegetação, resultado do trabalho do trator, e ao fundo as árvores pertencentes ao Horto Florestal.

vista de partes onde já ocorreu a secagem, de uma área que circunda o centro do biótopo.

vista de partes onde já ocorreu a secagem, de uma área que circunda o centro do biótopo.

vista de partes onde já ocorreu a secagem, de uma área que circunda o centro do biótopo.

vista de partes onde já ocorreu a secagem, de uma área que circunda o centro do biótopo.