Na Primavera de 1997, durante a Convenção de Marcinelle (AKFB), na Bélgica, Mike Agnew e John Rosenstock decidiram que era a vez deles fazerem uma expedição a Tanzânia para capturas. Já na Dinamarca, John me havia perguntado se eu gostaria de me juntar a eles para tal. Depois de ponderar - principalmente a questão economica, e como eu desejava há muito tempo fazer uma tal viagem - eu disse que sim. Brian Watters também se juntou. Após muitas conversações por telefone, e por e-mail, terminamos os preparativos para a expedição. Finalmente, a 16 de Maio de 1998, sábado de manhã, Brian Watters, Mike Agnew e eu, encontramo-nos no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã. Juntos, voamos pela KLM para o aeroporto de Kilimanjaro, ao norte da Tanzânia, perto de Arusha.
Na segunda-feira, dia 18 de Maio, levamos os materiais para Arusha e começamos a procura de Nothobranchius.
Quinta-feira, 18 de Maio, alcançamos Mombo. Foi-nos dito que a estrada para o aeroporto tinha sido levada pela água, mas não obstante chegamos ao lugar que provavelmente é o local típico para N. vosseleri.
Finalmente, capturamos o nosso primeiro Nothobranchius.
O dia seguinte foi dedicado à procura de Nothobranchius em Umbra, estepe a noroeste de Tanga. Já na orla de Tanga, Brian pescaria em algumas pequenas lagoas perto de um rio. Em 1995, Brian, Ian Sainthouse e Ruud Wildekamp haviam capturado Pantanadon podoxys nesta localidade. Imediatamente, algumas pessoas locais apontaram uma mancha. Elas apontaram para a superfície e disseram "Mombo, mombo". O nosso motorista disse-nos que aquilo significava "crocodilo".
Nós não vimos o "crocodilo" e, infelizmente, nem um Pantonodon podoxis. Porém, Brian capturou algumas percas-vidro.
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No dia seguinte fomos de novo para oeste. Entre Segara e Korogwe, próximo de Mandera, voltamos a capturar N. vosseleri, num charco junto à margem da estrada. A este local atribuímos o nome de "Mandera, TAN 98/3".
Em Karogwe, deixamos a estrada principal e viramos para Handeni, para dirigirmo-nos ao sudoeste de Morogoro. No caminho para Handeni, pescamos em varios locais mas sem sucesso. Em Handeni, soubemos que era impossível alcançar o sudoeste porque a ponte havia sido arrastada pelas águas. Então, de Handeni tivemos de nos dirigir para Magamba e Mkata a fim de regressar à estrada principal novamente. Só paramos numa pequena poça barrenta formada por um tubo de escoamento de água, por debaixo da estrada. Aqui, capturamos N. melanospilus (em Abril de 1989, John tinha capturado N. melanospilus na área circundante de Chalinze). O local foi nomeado de "Chalinze, TAN 98/4".
Na nossa deslocação para Morogoro, passamos por muitos locais promissores onde era provavel existir N. melanospilus. Mas, começou a fazer-se tarde e tivemos de nos dirigir diretamente para Morogoro. Ficamos instalados no Hotel "Morogoro". Novamente durante duas noites, como haviamos planejado, para ocupar o dia seguinte na área oeste de Morogoro. O Hotel era algo especial. O edifício principal é uma casa circular, aberta e grande, e em todos os lugares havia gafanhotos atraídos pela luz. À noite funcionava uma discoteca muito ruidosa. As camas eram muito pequenas. No hotel havia uma piscina, provavelmente sem água nos últimos 10-15 anos. No restaurante, 90% do que estava anunciado no cardapio não estava disponível. Se não, era um lugar muito acolhedor.
O Domingo foi passado na área oeste de Morogoro. Fomos primeiro para Kimamba e então para noroeste, pela estrada principal entre Morogoro e Dodoma. Pelo caminho, pescamos em muitos locais. Encontramos N. melanospilus em nove locais, mas não trouxemos nenhum peixe connosco. Verificamos a localização com GPS e tiramos algumas fotos para ampliar as manchas no "Notho-mapa". John sugeriu que atribuíssemos à expedição o nome de "Melanospilus expedition 1998". Entre outras coisas, procuramos N. steinforti, mas como a área também tinha sido muito alagada e apesar da procura intensa, não tivemos sucesso em encontrar algum exemplar. Regressamos ao Hotel "Morogoro", de mãos vazias. A noite era passada a mudar a água das capturas anteriores.
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| Na Quarta-feira, pela manhã, carregamos o carro com toda a nossa bagagem pela última vez. Tínhamos decidido ir para Dar es Salaam e lá começamos os últimos dias da nossa viagem. Fomos de Dodoma para Mlandizi só com algumas interrupções - uma distância de cerca de 430 quilometros. De Mlandizi fomos para sul, para Mzenga. A sul da linha férrea de Mzenga, capturamos N. melanospilus - desta vez, um belo exemplar vermelho que muito gostamos de tê-lo trazido, claro. O local foi nomeado de "Kikongo, TAN 98/8".
Um pouco mais adiante, para sul, pescamos novamente. Aqui o lago era bastante grande, com água um pouco rasa, com erva alta e alguns arbustos junto as margens. Capturamos N. melanospilus e também N. janpapi. Deste local, só trouxemos conosco os N. janpapi e atribuímos ao local o nome de "Kikongo, TAN 98/9". Como era cedo, fomos para Dar es Salaam, onde ficamos alojados até ao final da nossa viagem. |
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No dia seguinte, rumamos para Ndundu, ao sul do Rio Rufiji (Rufiji River). Tinhamos decidido atravessar o Rio Rufiji para pescar ao sul, localidade a norte de "Kikongo, TAN 98/9", onde Cooper, Wildekamp e Watters, em 1997 capturaram a espécie recentemente descrita como N. fuscotaeniatus.
A primeira parada para pescar, foi num lago ligado a um pequeno rio não muito distante da aldeia de "Jaribu". No lago, capturamos Aplocheilichtys kongoranensis presentes nos baixios bastante grandes daqui. O local foi denominado "Jaribu, TAN 98/10". |
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Continuamos a viagem para sul e junto ao Rio Ruhoi (Ruhoi River) paramos para pescar. A pouca distancia da estrada, entre árvores, arbustos e erva alta achamos uma pequena poça (4 x 2 metros e 20-25 cm de profundidade). O primeiro Nothobranchius foi capturado muito depressa. Pouco tempo depois tínhamos capturado N. melanospilus, N. janpapi, N. eggersi, N. annectens, N. ocellatus, Aplocheilichtys kongoranensis, Ctenopoma muriei, juntamente com barbos e ciclídeos - porém, só alguns exemplares de cada espécie, e provavelmente por causa dos N. ocellatus. O John comentou que mais parecia um aquário de um novato, com dois peixes de uma espécie e três de outra. O local era fascinante, com cinco espécies de Nothobranchius na mesma poça e eu tive oportunidade de visitar um verdadeiro local de N. ocellatus. Tivemos sucesso em capturar três machos e duas fêmeas de N. ocellatus, quatro Ctenopoma muriei e a um metro e meio da poça achamos outra poça muito rasa (1 x 0,3 metros e 2-3 cm de profundidade, encoberta por erva alta), onde alguns N. eggersi se tinham refugiado dos predadores.
Desta localidade, trouxemos estas três espécies. Das restantes espécies que tivemos sucesso em encontrar alguns exemplares, não trouxemos nenhum conosco. Ao local atribuímos o nome de "Ruhoi River, TAN 98/11".
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| Seguimos viagem mas a cerca de 20 quilometros a norte do Rio Ruhoi a estrada havia desaparecido. Foi nos dito que só poderíamos continuar com um trator e que a balsa tinha parado por causa das inundações. Aborrecidos, tivemos de voltar para trás.
No regresso para Dar es Salaam, paramos para pescar a alguns quilometros a sul da nossa localidade 11. Era uma área inundada com erva alta, ligada a algum canal de drenagem, ou a um charco grande. Aqui capturamos, novamente, N. eggersi, N. annectens, N. melanospilus, N. janpapi, Aplocheilichtys kongoranensis, Ctenopoma muriei, barbos e ciclídeos. Infelizmente, nenhum N. ocellatus. Capturamos muitos N. eggersi, N. annectens e Ctenopoma muriei para trazer conosco. Dos restantes, capturamos mais alguns exemplares. Chamamos o local de "Ruhoi River, TAN 98/12". Regressamos, então, a Dar es Salaam. |
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| No dia seguinte, fomos para sul novamente. Desta vez a procura de N. luekei. Encontramos logo o local em "Mbezi River", mas nenhum N. luekei. Apenas capturamos alguns machos de N. rubripinnis, alguns lampeyes, alguns elephantfishes do genero Mormyridia e também duas espécies de ciclídeos. De uma das espécies, eu trouxe alguns jovens. Pareceram-me ser Astatotilapia bloyti |
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No sábado, dia 30, conferimos todos os peixes e trocamos a água de alguns peixes que apesar do esforço do dia anterior não havíamos feito. Dividimos os peixes entre nós, quase 400 killifishes, glassperches, barbos, guppies, Ctenopoma muriei e Astatotilapia bloyeti. Capturas bastante agradáveis. Cada um de nós acondicionou os seus próprios peixes para a viagem de regresso a casa. Levei três horas e meia para reencaixotar todos os meus peixes, exatamente 100 exemplares. Vesti-me e fizemos uma despedida com cerveja no restaurante, antes de chegar Abdallah, o motorista que deveria levar ao aeroporto a mim, Brian e ao Mike. John não regressaria antes da manhã seguinte. No avião para Amsterdã tentamos dormitar um pouco e no domingo o Brian madrugou. Mike e eu, dissemos adeus no aeroporto de Shipol. À hora do almoço eu estava já em casa e comecei a deixar sair os peixes, uma experiência fantástica e mais rica em peixes. Viajamos cerca de 4.100 quilometros na Tanzânia, principalmente, por estradas de terra cheias de buracos onde foram capturados Nothobranchius.
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Tradução e Publicação autorizada pelo Autor
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