No Killi-News n° 463 - Abril/2004 foram publicados, separadamente, três artigos sobre a espécie de Aphanius, os quais deveriam ter gerado um maior interesse pelo gênero. Naquela oportunidade, Charles Zammit não se sentiu preparado para publicar sua experiência com a espécie Aphanius Dispar (Falluja) Iraque.
Pouco tempo depois, no Boletim n° 470 - Novembro/2004, Emile Farmer publicou um relatório sobre sua coleta de Aphanius Fasciatus. Então Zammit decidiu que era o momento para publicar as informações a seguir.
No verão do ano de 2002, um parente de Herman Meeus (Bélgica) esteve na Malta, em férias, e entregou a Zammit quatorze ovos de Aphanius dispar (Falluja). O tempo estava bastante quente, e a temperatura passava de 35°C, entretanto os ovos suportaram bem a viagem. Ele os colocou em água de torneira filtrada a qual é muito dura, 20 dH e após alguns dias nasceram 12 filhotes muito ativos. Os filhotes nasceram com bom tamanho, como é normal com a espécie de Aphanius, e assim sendo foram diretamente alimentados com náuplios de artêmias recém eclodidos. O crescimento foi muito rápido, e ao completarem um mês de nascidos, estavam com cerca de 12 mm (1/2") de comprimento. Uma certa manhã, Zammit notou que os peixes jovens estavam cobertos com uma espécie de fungo (Oodinium), sendo a parte mais afetada a nadadeira caudal. Em seguida ele efetuou uma mudança de água e adicionou uma colher de chá de sal marinho para os cinco litros (1 galão) do aquário. Nos dois dias que se seguiram, sete peixes jovens foram perdidos, e os 5 restantes, em outubro, revelaram ser dois machos e 3 fêmeas.
Da experiência que Zammit possuía sobre Aphanius fasciatus e Aphanius mento, ele sabia que essas espécies têm que passar por um período frio no decorrer do inverno, então tomou a decisão antes que a água em seus aquários se tornasse fria, e o melhor seria colocar um trio (terno) daqueles peixes ao ar livre e deixar que se aclimatassem naturalmente. O casal restante foi mantido em temperatura mais elevada, em seu criadouro. Em janeiro, o casal que fora mantido em ambiente fechado, havia morrido.
Durante os meses de inverno, a temperatura da noite local jamais baixa ao ponto de congelamento, e Zammit podia ver o trio embora não fossem muito ativos; eles continuavam vivos. Entretanto quando a primavera chegou, o macho começou a apresentar colorido no corpo e podia ser observada atividade de desova. Assim, Zammit começou a coletar ovos por entre as algas que crescem em seus tanques. Esse tipo de algas cresce em água dura e sob luz solar forte. Ele não adicionava sal de qualquer espécie em seus tanques, e os enchia com água diretamente da torneira. Da primavera para o outono, nestes tanques também é mantido um grande número de Guppys e Platys.
A maior parte dos ovos coletados eram viáveis e resultavam em saudáveis filhotes. Novamente, quando estes filhotes completaram um mês de idade, foram infectados com Oodinium. Então Zammit começou a fazer mudanças regulares de água, uma vez por semana e acrescentava uma colher de chá de sal marinho. A partir de então não mais ocorreu a incidência dessa doença em suas instalações. O crescimento dos filhotes, como de costume, foi rápido e em junho, os casais jovens estavam desovando. O desenvolvimento desse peixe é obtido com qualquer tipo de alimento, pode ser vivo, seco ou congelado. Zammit coloca os peixes mais jovens no tanque e estes crescem muito mais rápidos e mais coloridos que os que crescem em local fechado. Na sua opinião, se os Aphanius não são expostos a luz solar e não têm muitas algas como parte de sua dieta normal, eles não mostram as cores que são vistas nos ensaios fotográficos.
A reprodução de Aphanius fasciatus parece ser bastante fácil. As fêmeas de ambas espécies são muito semelhantes em tamanho e forma do corpo. Na oportunidade em que Zammit escreveu este artigo (Dezembro/2004) ele possuía doze híbridos de Aphanius Dispar macho com Aphanius fasciatus fêmea. Eles estavam com 40 mm (1 ½") e sexados, mas até então nenhum ovo fora obtido. Todos os peixes são prateados, com os machos apresentando faixas escuras largas e as fêmeas as faixas escuras estreitas. Até então nenhum dos exemplares apresentou a cor azul ou amarelo claro, que os peixes de origem possuem.